
Há algo inconfundível na aparência de um charuto prensado. Seus cantos retos, sua forma quadrada ou retangular, a maneira como repousa na mão como um pequeno tijolo de tabaco. Mas você já se perguntou de onde vem essa tradição? E, mais importante, por que prensar um charuto?
A resposta nos leva a uma jornada que começa na necessidade e termina na arte.
A Origem: Nasce uma Solução
A história dos charutos prensados — ou box-pressed, como são conhecidos no mercado internacional — remonta ao século XIX, em Cuba. Diferente do que muitos imaginam, a prensagem não era uma escolha estética, mas uma solução prática e logística.
No final do processo de produção, os charutos eram colocados em caixas de cedro para envelhecimento e transporte. Como as caixas eram retangulares, os charutos redondos ocupavam espaço de forma ineficiente, deixando vãos entre eles. Com o tempo e o empilhamento, o peso das camadas superiores acabava comprimindo naturalmente os charutos das camadas inferiores, moldando-os ao formato da caixa.
Os mestres tabaqueiros perceberam que esses charutos "acidentalmente" prensados desenvolviam características interessantes. A compressão uniformizava a densidade do fumo, alterava ligeiramente a queima e, em muitos casos, concentrava os sabores, já que as capas se esticavam e os óleos se redistribuíam.
Assim, nasceu a técnica deliberada de prensar charutos antes do envelhecimento final. Hoje, os fabricantes utilizam moldes especiais que aplicam pressão controlada por períodos determinados, criando aqueles cantos retos e a forma característica que tanto admiramos.
O que Muda no Sabor e na Experiência?
Um charuto prensado não é apenas um charuto "amassado". A prensagem altera profundamente a experiência:
Fluxo de Ar: A compressão modifica a densidade do fumo, geralmente resultando em uma puxada mais controlada e uniforme.
Concentração de Sabores: Ao reduzir ligeiramente o espaço entre as folhas, a prensagem pode intensificar os sabores, criando uma fumada mais densa.
Queima Mais Uniforme: A estrutura compactada tende a queimar de forma mais previsível, sem picos de temperatura.
Conforto na Mão: Há quem diga que o formato prensado é mais ergonômico, pois não rola e se acomoda melhor entre os dedos.
Estética Inconfundível: Claro, há também o fator visual: um charuto prensado tem presença, personalidade e imediatamente chama a atenção.
Dois Gigantes da Prensagem Moderna
Alec Bradley Prensado: O Nome que Definiu uma Categoria
Quando se fala em charutos prensados, é impossível não começar pelo Alec Bradley Prensado. Lançada em 2009, esta linha não apenas popularizou o formato como elevou seu nome a patamares históricos.
O Alec Bradley Prensado Churchill foi eleito o Charuto do Ano de 2011 pela Cigar Aficionado com impressionantes 96 pontos . Este reconhecimento colocou a linha e a técnica de prensagem no centro das atenções mundiais.
Produzido em Honduras, o Prensado combina uma capa Corojo hondurenha, capa interna (binder) nicaraguense e um miolo (filler) com tabacos de Honduras e Nicarágua . O resultado é um charuto de corpo médio a forte, com notas pronunciadas de carvalho, café espresso, couro e um fundo de especiarias .
CAO Flathead: A Potência com Personalidade
Se o Alec Bradley Prensado refinou a técnica, o CAO Flathead a levou para um território completamente novo: o da cultura hot rod americana.
Lançada há mais de uma década, a linha Flathead é inspirada nos motores V8 e nos carros customizados dos anos 1950 . E não é só no nome: os charutos apresentam uma cabeça "flat" (plana) que imita visualmente a tampa de um motor, e muitos formatos levam nomes como "Camshaft" (comando de válvulas) e "Piston" (pistão) .
Mas por trás da estética ousada, há um blend poderoso. O Flathead utiliza uma capa Connecticut Broadleaf americana — escura, oleosa e encorpada —, capa interna Connecticut Habano e um miolo que combina Ligero 100% da Nicarágua e da República Dominicana .
O resultado é um charuto de sabor intenso, com notas de espresso, cacau, especiarias e uma doçura terrosa . A linha já foi premiada com o terceiro lugar na lista de Melhores Charutos do Ano da Cigar Aficionado em 2016 .
O Legado
Hoje, a técnica de prensagem é utilizada por dezenas de fabricantes ao redor do mundo, cada um com sua abordagem e tempo de compressão. Mas foram linhas como a Alec Bradley Prensado e a CAO Flathead que solidificaram o formato no imaginário dos aficionados modernos.
Fumar um prensado é experimentar um pedaço da história do charuto, uma história que começou como solução logística nas fábricas cubanas e se transformou em uma das expressões mais marcantes da arte tabaqueira contemporânea.
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